Naum leia


10/12/2011


Viado reles, torto e do lado errado.


Disseram nesse blog que eu era um viado como os outros todos. E é verdade. Sou um homem desse mundo. Se eu leio umas poesias vezenquando ou acho natural meu corpo e o tesão que tiro dele isso não quer dizer que eu não seja realmente um reles viado.

Gosto da palavra viado. Carrega energia e polêmica e faz mais diferença na mente de quem fala e ouve do que que palavras como homossexual ou gay. Encho a boca ao dizer isso: sou viado. É massa esse prazer de se nomear. (Nomear foi a primeira coisa útil que Adão fez no Édem)

E sou reles e comum. E baixo também. E puto também. E acho o corpo a coisa mais boa do mundo. E a beleza tem seu lugar também. E o consumo inevitável me vitima também.
E peco (e como!) e me arrependo às vezes. Não mais nem menos que qualquer um. Se quando fodo alguém eu me sinto um deus, sou um deus entre deuses e o cara me adorando de joelhos pode seru um deus maior que eu até.

Sou comum até o talo. Sou doce às vezes, mas no mais sou desinteressado - para bem e para mal. Minha curiosidade é preguiçosa e minha bondade com os outros também.
Mas sinto um orgulho imoral disso tudo. De cair, de errar, de dar pro cara errado, de ajoelhar para quem não merece, de broxar com o homem certo.

Sinto orgulho de não poder gozar três vezes seguidas. Admiro minha capacidade de ter tesão por quase todo homem que se move. E curto quando simplismente digo não ou deixo pra lá.
Sem remorços num caso e outro.

Sou orgulhoso do viado reles e torto que sou. Daí penso como um personagem do Marquês de Sade, que acha que se não devemos nos gabar das virtudes também não devemos nos arrepender dos vícios que temos.

Porque há aos montes quem cante a bondade, a pureza, a monogamia, a famíliaclassemédia, a igreja, a fidelidade, a virgindade e a constância. Não digo que estão errados.
Mas eu sou o que canta o resto. Porque um e outro existem com a mesma intensidade. Eu sou o que canta a beleza da putaria. Mas não canto por cantar. Eu vivo tortamente e canto o torto. Porque há tanta beleza no torto quanto no perfeito e o torto é mais próximo porque sou eu mesmo.

Poderia encher bibliotecas falando das coisas todas tidas por boas ou recomendáveis. Mas vivo só o comum da vida, com suas tortuosidades todas. E o comum da vida é baixo. É carne e necessidade e beleza.

É um mistério tão indizível quanto o amor ou a idéia de Deus. Mas não sinto o amor ou a ética na carne. Sinto é tesão e dor e fome e raiva e medo e euforia e taquicardia e bexiga cheia.
E há espaço em nós viados reles e comuns para o espírito. Muita da espirituosidade e metafísica do mundo veio de nós viados. Porque se a vida pede só prazer, alimentação e evacuação, sobra tempo para a metafísica, a filosofia, a arte, a religião e a família.

Mas nada disso exclui o essencial, comer, meter e cagar. E o essencial não exclui o metafísico. Trepo e creio em Deus. Dou a bunda e aprecio a arte. Seguro a cabeça do cara até ele sufocar com meu pau e me sinto perfeitamente apto a discutir os direitos humanos.

Sou integral. Viado integral. Dos comuns mesmos. Dos ordinários. Daqueles orgulhosos. Daqueles que chafurdam fundo.

E, meu Deus, como isso é bom!

E sou tão comum que o que digo aqui consegue ser entendido por qualquer viado. E o que eu digo é tão comum e natural que incomodo tanto quanto deleito outros viados. E muito do que digo sobre mim vai causar ódio, e reprimendas e enfado e adesões ou passar batido, como acontece com qualquer livro religioso.

E digo essas coisa de mim porque sei que não sou único. E porque há uma jornada a cumprir, em favor do Lado B da vida. Uma jornada rumo ao equilíbrio e eu já escolhi em qual lado lutar nessa peleja.

Escrito por Feline às 16h31
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12/11/2011


Viado, de peito aberto

Penar é uma escolha também. Sou viado e decidi não penar por causa disso. Em vez de me afogar em culpa ou autocensura, sigo gostando de mim e da minha vida torta.


Mas não sou um orgulhoso solitário. Tenho família em torno e amigos junto e sou orgulho deles também. Então, moralmente e sentimentalmente amparado, posso ser com toda a propriedade viado em casa, viado no trabalho, viado com minha família, viado caçando e viado entrando e saindo do motel.


Sou viado tranquilo, desses que andam na rua de mão dadas com o amante quando lhes dá na telha e se beijam quando a emoção ordena.


Conheço muita história atormentada. Sei de muita gente para quem todo o sofrimento é pouco e é em razão de ser gay. Lamento por eles. Não digo que os entendo, mas lamento.


Mas esse não sou eu. Já não tenho mais que lutar contra o mundo e, principalmente, lutar contra mim mesmo e Deus. Sou de aleluias agora, não de lamentações.


Estou de bem com o Deus que me fez assim. Não sou um vaso de desonra, como muitos viados proto-evangélicos querem. Sou obra prima divina, tão fruto do amor criativo Dele quanto qualquer hétero desavisado.


A natureza não me é hostil. É natural que eu exista, tenha dores, tenha gozos, envelheça, adoeça e trepe. A natureza não me diz outra coisa senão que eu sou seu filho amado em quem ela tem prazer.


Sou tão humano e natural quanto qualquer hétero, quanto qualquer bissexual, quanto qualquer transexual.


É uma honra e um orgulho existir assim, torto. Não vou acinzentar tudo porque não acho isso ou aquilo perfeito. Em meio a tanta perfeição, vou cantar as possibilidades todas.


Deixo a lamentação pelas limitações aos viados e héteros ressentidos, até hoje revoltados contra Deus por Ele atualmente economizar o uso do fogo que desceu sobre Sodoma e Gomorra.


Porque não sou mais nem menos limitado que qualquer outro homem. Já li muitos livros e vi muitos filmes e ouvi músicas demais para acreditar na infantilidade de se querer ser feliz 24 horas por dia, dia por dia a vida toda.


Sou um viado adulto, crescido. Não culpo meu pau por meus problemas. Se meu tesão traz o inferno para o meu mundo, se isto que vivo é mesmo o inferno que dizem, que maravilhas não trará então o céu, quando eu morrer?


Mas desconfio seriamente que o que a putaria e a convivência com os homens me trouxeram foi o céu em vida. Ainda que os ressentidos dêem a isso – que eles desconhecem – o nome de inferno.


Por que me preocupar com o céu e o inferno quando é tão mais doce ser amigo de Deus enquanto estou vivo¿ Sou viado amigo de Deus, cheio Dele, orgulhoso de mim e orgulhoso por saber que Ele é orgulhoso de mim também.


Lamento que haja tanta culpa no mundo e que ela chova sobre muitos gays. Estou seco e bem. Eu sou um gay que anda com Deus e fui salvo por ele.


Se isso é uma afronta às religiões e aos costumes e à vida heterodeterminante, que eles se insurjam contra Deus e a vida, não eu.


Eu vou curtir o amor divino, a companhia dos amigos, a aceitação da família, a admiração dos amantes e a energia bruta da putaria.


Pretendo ser feliz até os 100 anos. E pretendo ser viado até bem depois disso.

   

Escrito por Feline às 18h13
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02/10/2011


É o orgulho de nossa virilidade que nos crava um no outro

 

D Depois de passar por tantos corpos, percebo que o que me dá tesão é a virilidade. É sentir que é outro cara e tão masculino quanto eu e que a única forma de expressar isso é foder um ao outro.

Não é beleza, nem oportunidade, nem facilidade, nem tamanho nem safadeza. É o fato de eu e ele sermos dois homens que torna foder tão bom assim. É o orgulho de nossa virilidade que nos crava um no outro.

Que eu seja então espécie de escravo da hombridade não é uma surpresa então. Nem falo de coisas esotéricas. Falo das coisas do corpo. O cheiro de homem, o jeito desajeitado de tirar a roupa, a força de homem, o gemido de homem, a bunda de homem, os pelos masculinos, a barba de homem, a tentativa mal sucedida de ser mulher.

E, principalmente, o cacete - que só homem tem. Rio dos ativos que ficam envergonhados por ficar de pau duro ao verem o pau de outro cara.

É uma luta burra. Somos gays porque adoradores da virididade. E nada mais viril que o cacete duro. Mesmo para comer, é o pau duro do outro o sinal de que ali é um outro cara e que esse cara quer você e sua virilidade em todos os buracos possíveis.

Essa é uma angústia dos muito femininos também. Porque mesmo a contragosto eles têm cacete e o tesão endurece como endurece nos demais homens.
Um cacete duro sacaneia o dono afeminado ao lembrá-lo de sua virilidade inevitável de humano nascido homem.

E o feminino em nós, mesmo ele é servo do pau duro. Que o digam as travestis, pauzudas em roupa de mulher - o sexo perfeito.

Que o cara prefira se deixar foder por alguém vestido de mulher ainda é motivo de revolta de muito gay lindo e dotado. Porque aquele cara heterossexual que prefere o travesti sofre do mesmo fascínio que a virilidade exerce em nós gays confessos - porque ele é homem e o que o homem tem de mais fascinante é a vara.

Ainda que se diga que o excitante são os seios roçando nas costas, é a virilidade embaixo da calcinha que faz o pau dos clientes ficarem duraços.

O mesmo motivo que me faz dar graças por ter nascido e dá tesão a contragosto no ativaço e no passivo até a morte.

Não se é gay porque os homens tem um rabo gostoso. Se é gay porque os homens tem cacete. E não há forma sutil de dizer isso e nem de sentir isso.

Curti muito quando vi no facebook uma mulher com uma camiseta dizendo que mulher também tinha cu. O que nenhuma delas pode dizer é que elas também tem pau (só as travestis). Então, o problemas delas com seus homens correndo atrás de nossos gays nunca vai deixar de existir.

Só as travestis são as mulheres perfeitas. Ainda assim, os caras vão atrás delas não por elas terem cu também, mas por terem uma bela de uma rola debaixo da calcinha.

Então se é gay porque temos pau. Do ativaço ao travesti, o que move o tesão é o cacete. Foi para o cacete que se ergueram até templos. Adora-se o falo, não a bunda. É o falo que é símbolo de energia e de criação.

É o falo que vibra, que levanta, que enfia, que jorra. É o caralho que age. O pau é que cria.

É o cacete duro que mantém nosso interesse nos sites e filmes pornôs. E não há nada mais broxante que ver um ator passivo levando sem ficar de pau duro. É uma heresia, que homens gemam de prazer sem tesão.

Há glória nenhuma em dar pra outro cara sem ficar de pau duro. Glória alguma em comer outro cara que nem fica de pau duro. Glória nenhuma em ser gay sem orgulho da própria virilidade e da virilidade do outro.

Glória, virilidade, cacete duro - tudo coisa de homem, tudo o que me dá tesão e nos gays todos. É algo que não se pode dizer ( ou fazer ) por aí e, daí, além de gostoso, foder com outro cara ainda é um tipo de transgressão,  e isso faz da foda algo melhor ainda.

Nada mais viril que a transgressão.

 

Escrito por Feline às 22h04
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29/09/2011


Com tanto pelo em volta, meu coração deve ser um órgão sexual

 

Nunca entendi porque há pelos nos órgão sexuais. Não entendo mas tiro vantagem. Ter pelos no sexo é tão básico e natural, que não há como me verem peludo e não associarem a sexo.


E isso acontece inadvertidamente. A gente até tenta brincar que pelo no corpo é coisa de animal, mas esse joguinho só esconde a constatação de fato: pelo é sexo.


Há toda uma cultura do lisinho como padrão de beleza, mas há essa cultura porque precisa ser imposta. Imposta à nossa noção natural de pelo e sexo.


A gente tem uma relação estranha com nossos pelos por isso mesmo. Porque mesmo os lisinhos tem pentelhos. E isso é fácil de esconder, basta uma cueca.


Mas os peludos, nos peludos os pentelhos migraram para o corpo todo. Os pelos no peito, nas pernas, nas costas, nos braços indicam isso, que o sexo é o corpo todo.


Se os pentelhos escondem o sexo, meu peito esconde um órgão sexual, o coração com certeza.


Mas se os pelos fora da cobertura da cueca carregam consigo o sexo para o corpo todo, por que essa aversão aos pelos?


Deve ter algum dedo feminino nesse desmerecimento dos pelos, não por conta do sexo além da virilha, mas por conta do excessivamente masculino deles.


Não tem como comer alguém peludo, mesmo alguém delicado, e confundir aquela bunda e aquele trejeito de macho vagaba com uma mulher rumo ao orgasmo.


E isso acontece não é porque os caras com barba ou pelos sejam mais másculos, mas é simplesmente pelo fato de que não há pelos nas mulheres.


Os pelos das mulheres não extrapolam a calcinha. E esse padrão feminino contagia nosso padrão de beleza também.


Porque tem uma época da vida em que homens e mulheres são parecidos, os pelos mal despontando nos locais escondidos.


Na juventude, somos todos lisos. Então, os pelos, além de masculinidade e sexualidade também são sinônimo de diferença.


Ter pelos é uma forma agressiva do corpo demonstrar o sexo. Os pelos gritam: sou másculo. Sua migração pelo corpo todo é uma arrogância do masculino.


Os pelos demarcam uma diferença essencial entre homem e mulher: a sexual.


Somos homens assumidos, os peludos. Mesmo quando não somos homens tão convictos assim. Podemos dar pinta, vestir de mulher, usar calcinha na hora de trepar, mas com os pelos à mostra, seremos sempre homens.


Além dessa espécie de discriminação sexista, os pelos são marca de outro horror dos gays e das mulheres. A idade.


Como não temos pelos do nascimento à adolescência, corpo liso é sinônimo de pouca idade. A juventude eterna passa pela depilação constante.


Daí ser meio loucura um texto todo desse para falar do pelo, quando ele parece ser discriminatório, ser contra a juventude, a beleza e o feminino.


Mas ainda que haja essa luta cultural para bestializar o pelo, o recado do corpo peludo é dado só pela sua simples existência: que o masculino existe e não consegue ser tímido e restrito à virilha e às axilias.


Ainda que um peludo seja a mais mulher das mulheres, a mensagem que o corpo dele envia é a de masculinidade.


É um recado entendido por qualquer ser humano, independente de sexo, religião, política ou escolhas sexuais.


Posso não conseguir diferenciar um travesti de uma mulher, mas se um deles for peludo, sei até sem pensar.


Porque pelos e sexo não passam pelo pensamento. Vão direto pra virilha. Daí tanto tesão ou repulsa a eles. Porque os pelos, ainda que epalhados corpo afora, vão sempre falar de virilha para virilha, e na virilha não há outra coisa senão sexo.

 

Escrito por Feline às 22h40
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22/09/2011


Haja luz

 



Admiro ver tanta gente sem religião ou ,pior, sem crença. Religião todo mundo tem, até por educação, que é feio dizer que é ateu. Ninguem crê em Deus mas ninguém é ateu.

Fica um buraco imenso em mim quando esqueço Deus. É como um fingimento. Não creio em Deus porque sei que ele existe mas às vezes prefiro ele longe.

Já que não há distância que nos afaste dele, finjo existir somente. Finjo ter sido uma bactéria que evoluiu até ser um símio que evoluiu até ser homem. Donde vim como bactéria não sei.

O sol passa a ser só o sol, a terra volta a ser só a terra e eu sou só carne, sangue, hormônios e milhões de anos de evolução.

E o buraco que fica e tão grande quanto o que havia antes da criação. E é preciso que Deus venha de novo, passeie pelo meu vazio e diga novamente: haja luz!

E eu aguardo a hora em que ele pacientemente me molda da lama e me abraça e sopra um teco de vida em meu nariz e me põe num jardim
.
É isso que é o Gênesis. Se não for eu sendo criado ali, de nada serve o livro. E é isso que as pessoas sem religião não percebem.

Que se sua história não estiver contada - ainda que haja mais dúvida e mistério que lógica, resta o buraco.

E o buraco não é silencioso ou passivo. O buraco é o vácuo e o vácuo, tudo que ele faz é forçar a ser preenchido.

E o vácuo não atendido faz doer o espírito. O vácuo me faz endeusar qualquer coisa que eu julgue melhor ou mais sublime que eu.

Vejo a adoração aos ídolos da música ou do cinema ou dos esportes. A obra deles não vale uma piscada do humano mais reles, mas a gente se dobra até quase ficar de quatro em deferência a eles.

Há choro, gritos, desmaios. Vidas inteiras são dedicadas a essa adoração. Toda humilhação é pouca nessa  adoração que nem foi exigida pelos artistas.

Adoramos de graça e espontâneamente e até a contragosto deles, se for o caso. E esse impulso não é mais que o vácuo roncando dentro da gente.

Do que vejo e sinto, percebo que é nosso, humanos, querermos a existência de algo maior que nós, algo que não seja Deus.

Não consigo. Maior que eu só Deus. Não me atrevo a ser o melhor humano, mas acima de mim só Deus. Venero a beleza, o amor, a putaria, os homens de pau duro e a natureza, mas esse vácuo duro só Deus passeia nele.

Dobro o joelho quando o cara abre a calça e põe o pau pra fora, mas minha alma dobra é pra Deus. Se eu afasto Deus, não há homem nem esperma nem foda que me sacie.

E se Deus me recria, minha vida bíblica começa de novo e vai haver um dia que minha Sodoma vai arder e vou salgar sempre que olhar pra trás, de volta para o só desejo.

E vou lutar com Deus e machucar a coxa. E vou dar as costas de novo e ser escravo no Egito. E vou me fechar até ser recriado de novo, com novo sopro de vida.

E lamento profundamente que as pessoas esperem um sopro de vida de cantoras, jogadores, atores, roqueiros, pastores e polítiicos.

Quando afasto Deus, até fico aberto-só por rebeldia-mas não vem sopro algum. O Édem das divas é seco e falta saliva nos homens santos para um corpo novo.

Humilde reconheço em mim a falta de Deus. Sou como a criança doida para crescer que afasta as mãos dos pais para poder atravessar a rua sozinha. Criança doida impaciente, penso que sei tudo já, e que Deus é dispensável agora.

Pode não ser uma vida perfeita, a da crença cristã, nenhuma vida é, mas é suficiente para mim Deus existir.

A bactéria que deu origem à vida cientifica não sabe falar nada disso, sobre de onde ela veio e pra onde vai. A bactéria replica só.

Se Deus criou ela do cuspe eu não sei, provavelmente nem ela sabe, porque o fim de toda a evolução é o BigBang.

No meu BigBang Deus está lá, acendendo a explosão. Foi com suas digitais que Deus criou a bactéria. É imitando Deus que os símios parecem conosco.

E é quando eu crio que me vem a petulância de talvez ser como Deus. E a idéia é tão avassaladora que afasto Deus e sigo sozinho. E minha torre de babel cai só para eu clarear as idéias e saber que eu sou o criador, sim, o maior homem da face da terra, mas reles cuspe divino.

E que alegria poder dizer isso, que sou obra do cuspe e do sopro divino. Ainda que eu não seja linearmente feliz , vai sempre ser bastante.

E encerro esses pensamentos tortos sobre Deus repetindo palavras do meu santo padre  Fernando Pessoa:

“Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.”

 

Escrito por Feline às 23h23
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05/09/2011


Com tanto homem lindo e jovem na parada, acabei lembrando que eu sou velho

A mistura de beleza e juventude é desconcertante, como sempre foi desde que o mundo é mundo. Mas nem sempre a gente é afetado. Eu fui.

 

Ter ido na parada gay de Goiânia fez de mim um cara mais cônscio do meu lugar no mundo. E o que percebi é que meu mundo passou.

 

Não digo isso com melancolia. Digo com maturidade. Digo com conhecimento, de mim e do que rola aí fora. Falo do que vi.

 

E o que eu vi me agradou muito. Me fez bem como o sentimento bom do dever cumprido. É fato consumado, o mundo que eu vi antes era pior que aquele que vi na parada.

 

Porque faltava ao meu mundo a alegria. Era luta, era enfrentamento, era rebeldia, era ganhar centímetro por centímetro na luta contra o preconceito e pela existência.

 

Agora é só alegria. Mais foda que beleza e juventude juntas é acrescentar a alegria a isso tudo. Alegria da mais pura e original, aquela sem motivo.

 

Vi gente alegre só porque estava viva e bem e tinha corpo. Alegria tão desprendida quanto o tesão que prego. E vi tesão também, e desejo e pose e escândalo. Mas acima de tudo, alegria.

 

(Claro, houve brigas, mas onda não as há, se há homens e cerveja juntos¿ )

 

Fui nessa parada meio a contragosto. Meu namorado foi praticamente obrigado. Clima ruim no início, aquela gente toda espalhada, a música dos carros misturada.

 

Daí olhei pro lado. E comecei a sentir certa diferença. Vi uma foto do meu ex-amante beijando o namoradinho, na câmera de uma amiga. Dessa vez, o namoradinho tem a idade dele ou menos.

 

Bem diferente de mim, carta mais que marcada no baralho. Porque agora ele vai viver um relacionamento em bases iguais. Por mais que ele amasse todos os meus sinais de maturidade no corpo, agora somente é que ele vai ter oportunidade de conviver com um igual.

 

Agora que ele vai se ver em alguém.

 

E havia alegria neles dois posando pra foto. E não pude mais que ficar alegre por eles. Ele no mundo dele agora, o mundo da beleza, da juventude e da alegria. E eu distante.

 

Devia ser eu lá, eu pensei, mas é o certo. É o adequado-que é melhor que o certo. Sou inadequado pra quem quer ser somente feliz. E tem horas que tudo que a gente precisa é de ser feliz, e não do amor.

 

E o que eu tenho é amor e tesão e carne e pelos e desperto o mesmo nos outros, constantemente. Não pertenço ao dia-a-dia. Sou inadequado para as horas de normalidade.

Mas a parada só teve efeito depois que um conhecido nos conduziu parada afora. Dançando, rindo e pulando, comparando o peito dele peludo com o meu, brincando com todo mundo, pegando na minha bunda, que a alegria bateu forte em mim.

 

Não era só protesto, nem só beleza, nem só juventude. Era alegria também. Porque o que a gente conquistou com cara feia, eles comemoram dançando.

 

E agora penso que eles estão certos. É o certo e o adquado agora. Rosnar e lamentar ficou pra trás comigo. Não há porque orgulho desse passado raivoso.

 

Vi meninos se beijando aos montes. Vi meninos fazendo poses acintosamente sexuais. Vi meninos se tocando. E eles não pareceram nem pervertidos nem decadentes. Pareceram naturais.

 

E me senti naturalmente velho. Elegantemente velho. Prazeirosamente velho, belamente e musculosamente velho, mas velho.

 

Não o velho acabado. Mas o velho que olha os meninos e vê que as coisas tem jeito sim. E que o futuro não precisa repetir Berlim, de capital gay à capital nazista. Talvez o futuro seja como Amsterdã, ou como São Francisco, cada vez mais gays ou libertárias.

 

Porque foi isso que eu vi. Da beleza, da alegria e da juventude emanava liberdade. De ser gay, de ser jovem e até, por isso minha alegria, de ser velho.

 

Porque agora sou livre para não precisar imitá-los mais, os jovens. E eles são livres para não nos imitarem mais, os velhos.

 

Voltei pra casa leve, com meu marido leve também, na minha moto que nunca antes havia sido tão leve e macia ao rodar.

 

E o vento batia forte nos pelos do peito. E envolto pelas coxas do meu marido, apoiado nele, encaixado na virilha dele, e com a imagem na cabeça de todos os homens lindos e jovens que eu vira, eu soube na hora: Deus sabe o que faz. E faz bem.

 

Deus salve os gays.

Escrito por Feline às 21h26
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10/08/2011


Pra não dizer que não falei da aids

 



Demorei a tocar no assunto HIV aqui no Blog,  justamente por não querer reforçar a associação gay-aids. Ou, pior ainda, insistir em  sexo-gay-morte.

Vai longe o tempo em que ter aids era decreto de morte. Com remédios e tratamento na rede pública, pouca gente ainda morre de aids - só se quiser.

Mas uma coisa não mudou: a associação aids-medo. Se ainda se morre cedo por causa da aids o motivo é o medo. Medo de fazer o exame, medo de descobrir. Medo de mais uma discriminação (além de gay, passivo, promíscuo, … ). Medo dos outros saberem. Medo.

(Tive experiência atuando direta e indiretamente com Ongs-aids. Então desde sempre ando com aidéticos e sou tido por aidético. Medo de ser mal falado, esse eu não tenho mais)

Além do medo do exame, que implica em medo de estar contaminado (e, mais preocupante, em atraso num tratamento que é bastante simples), outra coisa me chama a atenção quando o assunto é A Doença.

Me assusta o uso moralista que se faz dela. Assim como no final do século 19 a sífilis era a doença que castigava com a morte os sexualmente ativos, a aids é, desde o final do século passado, a executora de quem curte sexo. Principalmente de quem é gay e curte muito sexo e o faz com frequência invejável.

Esse perfil apocalíptico do sexo nos acompanhou século afora. E olha que a ciência descobriu recentemente que os caras que tomam os remédios imediatamente após o diagnóstico têm 76% de chance de trepar sem contaminar ninguém.

O mesmo não se pode dizer de quem nunca fez o exame e não sabe se tem ou não. Sem medicação, a possibildade dele infectar o parceiro é 100%.

Fechar os olhos é nossa reação mais primitiva ao medo. A gente fecha os olhos e finge que aids é problema só dos gays pervertidos, ou promíscuos, ou drogados, ou jogados no mundo, ou solteiros, ou pobres, ou ricos, ou dos que frequentam sauna, ou dos que fazem banheirão ou cinemão, ou dos adeptos de suruba. Enfim, é coisa de todo gay menos eu.

Some-se a isso o complexo de vítimas que padecemos. Nunca ouvi de alguém “peguei aids transando sem camisinha”. Parece que ninguém pega aids. Mas ouço sempre “fulando me passou a doença”.

A aids só vitima. Todo mundo pega aids por culpa de outra pessoa. Dá a impressão que todo mundo foi estuprado quando se contaminou.

Já falei aqui sobre a tragédia que é esse comportamento de vítima ao qual nos apegamos tanto. Somado ao medo e ao receio de saber, a epidemia de aids corre solta como sempre desde seu início.

E como se não bastasse, humanos que somos, criamos uma categoria sexual para as pessoas infectadas. E o que hà pouco era A Doença passou a se chamar O Presente e o tal negócio tem nome americano para o bom português “trepar sem camisinha com o intuito de se contaminar” e ganhar o dito Presente (ainda que ninguém vá fazer exame para conferir se recebeu ou não O Presente).

Me estranha menos que haja essa categoria sexual que o fato de haver quem ache que fechar os olhos e falar mal dos outros vai salvar sua pele da aids.

A aids ( e as demais doenças venéreas ) é fato para quem tem vida sexual. Resta saber como lidar com isso. Se em pânico, se com sobriedade ou se com tesão.

Sorte nossa que haja remédio e tratamento à disposição. O tratamento vai nos dar vida longa para continuarmos a depreciar quem trepa e gosta. Vida longa para vivermos como vítimas, como mulheres amedrontadas, como bons moralistas que somos. Deus salve os Gays.

 

Escrito por Feline às 22h04
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06/08/2011


A boa má fama

 



Descobri que tenho uma má fama aqui em Goiânia. Não era pra menos: eu gay, eu assumido, eu másculo, eu evangélico, eu funcionário público, eu casado ( e amando ) com um ex-garoto de programa, eu tendo vivido um casamento a três, eu puto, desfilando aos beijos com um amante e eu suspeito de ter HIV.

Confesso, sou culpado de tudo. E como faço abertamente e certas coisas faço espetacularmente tinha mesmo de ganhar fama. É uma boa má fama e me enche o peito de orgulho.

Comecei emputecendo o sagrado casamento. Casei aos 27 com um ex-garoto de programa. Anos depois, em meio ao consensual e inescapável casamento em regime de semi-aberto, agregamos um terceiro, que era amante do meu marido.

Passamos por amantes sem conta, do meu e do lado dele. Cada amante tem uma história. Cada paixonite nossa difunde nossa fama por aí. Cada conversa deles depois da trepada fala de nós em algum momento.

Porque na hora de falar dos outros somos todos moralistas. Somos puto no fazer e moralistas no falar. Quem se esbaldou na nossa cama, se comentar, vai falar mal também.

Há gays, coitados, que acham que me taxar de promíscuo é xingamento. Porque junto com a idéia boa de ser putão, existe a idéia escura e pesada e moralista de que quem é promíscuo tem HIV.

Porque, religiosos de repente, entram na onda de acreditar que todo mundo que peca (?)  tem de pagar, então quem trepa demais paga pegando a doença. A peste gay, como já foi perjorativamente chamada pelos héteros moralistas.

Como sou promíscuo publicamente, publicamente sou dado como aidético (sim, usam essa palavra até hoje). Se eu fosse promíscuo só entre quatro paredes, estaria lado a lado com eles todos na boate, fazendo cara de bom moço e torcendo pra balada acabar logo pra eu poder trepar bêbado ou drogado com o primeiro que balançar o pau pra mim na rua.

Dentre todos os meus crimes de putaria, o pior é eu gostar de ser puto. Porque há um consenso de que ser gay é ser puto, mas há um consenso muito mais pesado de que não se deve gostar disso.

A gente revira os olhos e os intestinos ao trepar e torce o nariz ao falar sobre isso numa rodinha de amigos pessoas do bem. Deve ser o tal de “faço sexo só socialmente”.

Um círculo restrito de ex-trepadas acaba se comunicando e contando as coisas e (surpresa) um e outro até já ficaram comigo (ou com meu marido, ou com meu amante). E lá vem a má fama.

Daí vem o medo do HIV. Mas é um medo a posteriori. Na hora nem levam camisinha. Daí ficam preocupados porque, também a posteriori, ficaram sabendo que eu, ou meu amante ou meu marido ou algum outro que fodeu comigo tem HIV.

Aí a má fama vira pânico e sempre que ouvem meu nome da boca de alguém dão o alerta: cuidado, ele tem má fama. Má fama de ter HIV.
(Da má fama de ninguém andar com camisinha no bolso não se comenta - porque sempre sou só eu que levo camisinha. E se pedem pra trepar sem, nunca sou eu que faço o convite. Mas a fama, essa sim, é minha)

Contra a fama de ser puto eu não luto e até alimento, mesmo a custa de exageros. Quanto à fama de ser soropositivo, tamém não nego. Mesmo porque não faria diferença alguma.

Se eu fosse mulher, a má fama poderia barrar todos os relacionamentos possíveis. Quanto a nós homens, má fama é qualidade da masculinidade.

Homens não têm má fama de pegadores. Porque em homens, ser pegador é uma qualidade. Só entre os gays pode existir alguém que não se orgulha do próprio pau e de usá-lo. Só entre os gays - mas não todos, a putaria é algo feio de se admitir. Numa roda de héteros, se gabar da putaria é até socialmente desejável.

Congrega homens narrar as putarias - mesmo se são um desastre risível. Parece que essa é a primeira coisa que o gay perde ao ser gay. O orgulho das coisas certas.

Daí passa a ter orgulho da cueca de marca, de falar três palavras em inglês, de ouvir a cantora da moda e saber cantar sua música em inglês. Daí passa a zelar pela sua imagem, a frequentar os lugares certos, a burilar seu perfil socialmente aceito, a procurar um namorado sério.

O passo seguinte é ser moralista em público. Enquanto a roda de héteros se diverte ouvindo as narrativas das putarias de cada um, a roda dos gays se diverte com comentários azedos sobre as roupas e a vida dos outros gays.

É quando somos mais femininos. É quando perdemos o senso de masculinidade que viramos moralistas. É quando somos menos homens que atribuimos fama a outras pessoas.

Porque meu orgulho de ser puto é essencialmente e radicalmente masculino. O orgulho de minha má fama me torna um homem melhor.

Eu, de má fama, sou aberto e pronto pra vida e penso que todos os homens são feitos pra mim. E cada homem que goza em mim me põe mais no topo da humanidade. E cada elogio dos amantes me torna mais santo e quanto mais gemem comigo mais homem eu sou.

Perdoem-me os bons. Prefiro ser homem. A fama? as mulheres que se preocupem com isso, principalmente as que querem se casar.

 

Escrito por Feline às 18h25
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26/06/2011


Insignificância faz bem

Escrito por Feline às 20h24
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20/06/2011


Carta aberta aos crentes mais santos que o próprio Cristo

Vocês não têm medo de usar o nome de Deus para encobrir seu mundano preconceito?

 

Quando foi que Jesus pregou ensinando vocês que dificultassem ou maldicessem os gays? Em que parte desaparecida do Novo Testamento está o trecho em que Cristo, o cara que originou o termo 'cristãos' (que são os que seguem a cristo), ensina a desprezar e ter preconceito contra gays?

 

Pois até onde vai minha Bíblia, ele mesmo, o Cristo,em mais de uma vez maldisse foi os religiosos de sua época, que como os de agora, usam Deus e a Bíblia para disfarçar seu ímpeto mundano.

 

Porque o preconceito evangélico, creiam-me, veio junto com as idéias norteamericanas de queimar negros em cruzes ou pendurar-lhes os corpos em árvores, só porque negros.

 

Talvez a comunidade evangélica brasileira, sempre tão preguiçosa e obtusa com sua própria história, não saiba, mas sua cultura religiosa nasceu entre igrejas e religiosos denominados pela sigla WASP (Brancos anglo-saxões e protestantes). 

 

Esses mesmos que vieram ao Brasil de terno e construiram igrejas aos montes mas não mudaram nada aqui. Não mudaram nada porque desconfiados da brandura de Cristo, incutiram nos crentes a cultura evangélica apenas, a tal ponto que não se sabe se se segue a Cristo ou à cultura evangélica, que apesar do nome é mundana e vil em muitos aspectos.

 

Há que se perguntarem, crentes, a quem vocês seguem. Olhem ao seu lado, nos bancos de igreja vizinhos. Quem dessas pessoas precisa de igreja? Quantas putas, quantos viados, quantos viciados, quantos lares desfeitos, quantas mães solteiras, quantos ladrões, quantos assassinos estão à sua volta ouvindo a palavra e mudando de vida?

 

Então a quem está sendo pregada a boa nova de Cristo? A vocês mesmos apenas? Então é só um clube das pessoas boas, a sua igreja? A razão dela é essa, reunir as pessoas boas para se vangloriarem de não serem pecadoras como o povo todo lá fora?

 

Foi isso que Cristo disse? Ide por todo mundo e montai igrejas em todas as esquinas? Quantos discursos incitando ao ódio contra os gays Cristo proferiu? Quantas ordens nesse sentido ele deixou, que se desprezasse e vilipendiasse putas, travestis, ladrões, viciados, negros, viados, aleijados e etc?

 

Se não foi Cristo que ordenou, a quem afinal vocês seguem? A quem vocês imitam? 

 

Porque me parece claro ver vocês ali ao lado de Cristo, quando ele pergunta se há alguém sem pecado que ouse atirar uma pedra na adúltera. Vejo claramente vocês, imbuídos de toda a cultura evangélica nazista, ali diantes de Cristo, cheios da autoridade santa adquirida nos cultos para a TV, diante de Cristo o sábio, o manso e o perfeito, vejo vocês jogando sim pedras.

 

Porque vocês, crentes, prepotentes além do aceitável por qualquer Deus do bem, fariam sim essa maldade ali mesmo na frente do filho de Deus, de atirarem pedra no primeiro gay que avistassem só porque o pastor falou que o gay ou a mulher adúltera são uma ameaça do mundo à família. Vejo vocês jogando pedras e dizendo aleluias.

 

Vejo vocês contabilizando graças por derramarem aquele sangue imundo. Vejo vocês seguros, abraçando uns aos outros em comunhão, lavados pelo sangue da adúltera, já que o de Cristo não foi suficiente.

 

Vejo vocês todos lá, de costas pra Cristo jogando pedra atrás de pedra, porque em comunhão com outros irmãos tão cheios da ira santa. Não me espantaria que voltassem as pedras para o próprio Cristo, por não ter sido o primeiro a condenar a adúltera. Vejo vocês ameaçando o próprio Cristo.

 

Vejo vocês logo mais pagando Judas para o mundo ser um lugar melhor. Vejo vocês santos exigindo ao Estado a morte daquele herege. Vejo todos vocês lá. 

 

E vocês se vêem também, eu sei. Porisso enfiados todos e escondidos nas igrejas. Porisso sob o nome de Cristãos. Cristo + não = Cristão. 

 

Não foi Cristo quem matou os que não concordavam com ele. Cristo não amarrou ninguém em árvores. Cristo não queimou pessoas como o fez João Calvino e outros. Cristo não balizou a escravidão, como os cristãos americanos. Cristo não mandou judeus aos fornos.  Cristo não fugiu dos pobres, loucos, necessitados e excluídos. Cristo nunca gritou Heil Hitler e nem queimou mulheres trabalhadoras.

 

Cristo não fugiu de volta ao Velho Testamento para encontrar as condenações todas que ele mesmo aplacou ao morrer.

 

Então me pergunto sempre e pergunto a vocês, crentes,  crentes mais santos e certos que Cristo:  se vocês fazem tudo isso até contra a vontade e o exemplo de Cristo, se vocês acham Cristoe o Novo Testamento indolentes demais com o mundo, então a quem, a quem, me pergunto e lhes pergunto, a quem vocês seguem esse tempo todo?

 

"A adoração deste povo é inútil,

pois eles ensinam leis humanas com se

fossem mandamentos de Deus" ...
"Vocês arranjam sempre um jeito de pôr de lado o mandamento de Deus, para seguir seus próprios ensinamentos"
(Cristo, aos religiosos, em Marcos 7:7-9)

Escrito por Feline às 11h41
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16/06/2011


A minha defesa de amado

 

O amor cansa também, de tão egoísta. Descobri que sou indigno de muito amor. Sou a pessoa errada para se amar demais porque acho que o amor é problema (e delícia) só de quem ama.

 

Culpar o objeto do amor pelas danações do amor é fraqueza de espírito. Se morro de amor por alguém, quem morre sou eu e não é ela que me mata. Isso faz toda a diferença.

 

Quando está forte o amor em quem ama, morrer de amor é um suicídio romântico, um sacrifício voluntário a um deus delicioso. Quando desanda o amor, é a pessoa amada quem mata o amador, por rejeitá-lo ou não se comportar como exige os delírios amorosos do amador.

 

De admiração e veneração espontânea, vira cobrança ser amado. O amador começa a lhe lembrar o quanto ele fez ou sofreu por você, como se isso fosse um eterno acerto de contas. E dura (creiam-me!) o acerto de contas até o último adeus do ex-casal.

 

As loucuras que ele fez, se diz que fez por você, acabam sendo culpa sua. Ele fez as loucuras mas quem as infligiu foi você. E quem vai lembrá-las eternamente (das torturas infligidas) , mais ainda que das benesses do amor, é o amador ferido de morte no coração.

 

Se dói o coração DELE por causa do amor que ELE sente, é você quem inflige a tortura. Ser amado passa da condição mais passiva possível para logo logo se tornar uma ação calculada e sempre maldosa ou desprezível.

 

Ora, então chega a ser criminoso que sofram por amor a você. Ainda que não se exija sacrifício, ainda que não se dê margem à delírio algum do amado, se ele ama você, o crime é seu.

 

Há sempre perdão para quem ama. Quem ama pode tudo, até mesmo atribuir a outra pessoa a responsabilidade pelas loucuras dele que te ama.

 

Não é raro que os amados morram nas mãos dos amadores, tão louco o amor. A negativa do amado, o seu jeito sempre errado de reagir ou responder aos arroubos do amador, tão criminosos que são, liberam o amador para a vingança do amor desperdiçado.

 

Ora, se não danço conforme a música do amador, sou o mais vil dos homens então. Mereço ou apanhar ou morrer justamente. Por amor, que loucura.

 

Eu que até então era só um objeto, um mero e passivo repositório do amor alheio, agora viro inimigo do amor ao não corresponder à altura ao sentimento do amador.

 

E quem avalia a performance do objeto amado é o filhodaputa do amador, em sua loucura amorosa. Ele resolveu amar, ele foi em frente, ele fez sacrifício pelo amor (que era dele e ninguém tasca) e no fim quem parece que agiu, e errado, o tempo todo fui eu, o amado.

 

O até então objeto do amor ganha vida e alma e passa a existir como essa entidade viva e má, porque fria ao insistente amor do amador.

 

De passivo ídolo de adoração a demônio inimigo do amor e, portanto inimigo do amador.

 

Se em sangue, se em dramas públicos, se em morte, o amador se arma de todos os direitos do mundo para vingar esse objeto de amor reticente a tão grande sentimento alheio por si.

 

É o que chamam de crime passional, briga de amor, essas coisas que enchem a delegacia a tal ponto que se criou uma lei inteira sobre o assunto, a Maria da Penha.

 

Sou indigno, garanto. Desafiando as regras desde o nascimento, vou desafiar e me negar a realizar a encenação de amor esperada pelos amadores.

 

Se me apresento puto ou insensível é porque danço é a contradança, ou melhor, a anti-dança, sob a melodia melosa, dramática e pesada da música tocada pelo amador enlouquecido de amor.

 

Anti-danço até sem pensar que danço, tão avesso a fórmulas, esquemas, costumes e tradições com que me afligem os que vivem em sociedade, os que amam ou os que comungam algo comigo, mesmo a cama.

 

Contra o amor meloso, sou puto de cima em baixo, a alma inclusa. Sou rebelde até às amarras do amor quando não é o amor que EU sinto. Amarras, só a do amor que sinto. Já bastam. Passam da conta, até.

 

O amor dos outros, que os outros o resolvam. Mal posso administrar o meu, o amor que sinto, quanto mais o amor que sentem ou dizem sentir por mim.

 

Perdoem-me os idealistas. Amem-me sim, mas não me responsabilizem por isso. Sou aberto ao amor, mas avesso a correias e regras de correspondência.

 

Não que eu seja duro ou seco como parece. Sou é incapaz assumido. Mal dou conta do que sinto. Querer , ainda por cima, que eu me responsabilize e pene pelo que sentem por mim é exigir demais de mim. É me forçar ao erro.

 

Se eu morrer por amor, creiam-me, morro pelo amor que sinto. É essa danação que se chama amor que me mata. A pessoa amada minha, perdoem-na. Meu amor escapou de mim e é cruel comigo e , até mesmo com ela.

 

Mas quero morrer de amor sabendo disso. Que morro e que é por amor. Não qualquer amor, mas o Meu amor, o que sai de mim, preenche o universo e é tão grande que poderia bem me matar.

 

É o amor que sai da gente que nos mata. Se me vingo matando aquele infeliz que não soube ou não quis corresponder a esse amor é porque meu amor é tão grande e poderoso que, irritado por não causar reação digna do seu tamanho e poder, destrói e apaga tudo que não seja ele mesmo o amor.

 

Vítima, quem sacrifica e mata por amor. Vítima, quem é amado e não deu conta de corresponder e por isso morre ou é castigado.

 

O algoz é só o amor, esse inimigo da paz humana. Não fosse o amor a delícia sem tamanho que é, seria fácil identificá-lo como causa mais provável da futura extinção humana.

 

Mas sendo a delícia que é e o poder que é, aqueles que o sentem – contra-senso dos contra-sensos – sentem enfim o que é ser real e divinamente humano, os loucos.

 

O amor é coisa de loucos. Não me responsabilizo por nada. Culpa alguma sinto. Mas que eu procuro eu procuro o amor, ainda que não seja o meu, mas ao menos o de alguém por mim.

 

O amor pode ser uma tortura e arruinar a vida, mas vida então pra quê?

Escrito por Feline às 19h26
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07/06/2011


Agora é cinza

 

 

Minto mais que o necessário simplesmente por preguiça de explicar ou desapontar. Com o tempo, vira um ato-reflexo e a gente passa a mentir por costume.


Meu ex-não-tão-ex-amante é sectário da verdade vive em crise, o pobre. Seguir a verdade contra tudo e todos só está mostrando a ele o tempo perdido.


Nem mentir e nem ser verdadeiro fanático faz alguém mais feliz. Mentir, no máximo, evita dor (a minha principalmente). Não há altruísmo na mentira, salvo raros casos.


Mas também não há altruísmo na verdade. Nem sempre a verdade é oportuna e quanto mais envelheço mais cinza as coisas se apresentam.


Nem preto, nem mentira; nem branco, nem verdade. Mais cinza é mais sábio. Não que não existam motivos pelos quais viver pelo cinza. Existem tantos quantos os motivos para se morrer pela verdade ou pela mentira.


Desconfio das pessoas prontas a morrerem por algo. Porque as vejo falando sempre isso, mas (graças a Deus) não as vejo morrendo de fato. Mera bravata. Um acento que se põe para deixar a fala mais verdadeira e passional.


Daí, entra a paixão na história. Diz-se que a paixão é algo pelo qual podemos almejar morrer. Mas paixão é coisa de vivos, então, ou é um contra-senso ou há aí alguma ironia maldosa.


Ou é só mais uma mentira altruísta, já que os apaixonados seriam tão felizes. Quando alguém vem atrás de felicidade damos logo o exemplo do amor e da paixão e de como se vive feliz para sempre.


Mas existe até uma categoria de crimes, ditos passionais. Como a felicidade descamba no assassinato, tortura e ameaças, é uma história infeliz que ninguém gosta de contar.


Talvez dizer que a felicidade está no amor ou na paixão seja só uma mentira pouco altruísta, contada para ficarmos por cima e dizer ao outro que, melhor que ele, sabemos o que é e como alcançar a felicidade.


A bem da felicidade, a pessoal e a alheia, mentimos. Que isso possa virar uma tragédia é algo que não nos passa pela cabeça, mesmo porque esses conselhos são nada menos que o senso comum.


O senso comum é pouco mais que uma mentira contada por tanta gente e em tantas épocas e lugares diferentes, que , como diz o senso comum, (uma mentira repetida a exaustão …) acaba virando uma verdade – frase atribuída a um criativo nazista.


Custou, mas hoje vejo em cinza. E ainda encontro causas para lutar ou defender. Basta elaborar argumentos, encontrar alguém que seja contra e pronto! É possível provar humanidade bastante no cinza – e felicidade também.


Religiosos radicais, esquerdistas radicais, defensores da pátria radicais, modistas radicais, racistas radicais, são todos donos da verdade e duros inimigos da felicidade.


Pregam contra a felicidade porque pacífica. Lutam contra o cinza até à morte. Ou se é a favor ou se é contra, pra eles é esse o caminho da verdadeira felicidade.


E ser cinza não é algo diverso ou contrário ao caráter. Pelo contrário, para optar por essa visão de mundo, é necessário a vontade bem dura.


Porque nada é simples como quer a mídia, a religião, os políticos, os banqueiros. Nada tão morto quanto isso.


A vida é variação, do preto ao branco passando por todas as fases. Do ativo radical ao passivo radical há tanta variação que é difícil crer que todos sejam simplesmente gays.


Dar muitos e variados nomes às coisas não é aceitar o cinza. Encher a denominação das pessoas gays com metade do alfabeto não é aceitar que há muita gradação entre o hétero radical ou gay radical.


É simplesmente tentar deixar as coisas mais preto-no-branco. Dar nome é delimitar as coisas é criar o contraste: ser gay é diferente de ser hétero, ser transexual é diferente de ser gay, ser lésbica é diferente de ser gay.


Categorias como gay, lésbica, trans, traveco, crossdresser e tantas outras é só disfarce para o que há de mais nazista na vida em sociedade: marcar as pessoas.


Os nazistas marcavam com símbolos diferentes os gays, os negros, os judeus e etc. Era tudo muito claro, então. A clareza trazia tranquilidade pra eles. Informava que o mundo ainda era simples como fora um dia muito distante, tão distante quanto a mentira permite.


E pensar que Deus passeava no jardim justo quando não era nem dia nem noite. E que Jesus quando veio por aqui usava as crianças como modelo.

Sem categorizar nada, em plena humildade de quem acabou de chegar ao mundo, para elas as coisas simplesmente são, antes mesmo de saberem se pretas ou brancas.


E sem saber, pra elas tudo é aceitável e sobra espaço então no cérebro e coração para as coisas novas ou realmente importantes. Até que cresçam e aprendam com os pais. E comam da árvore do Bem e do Mal ou saiam dando nome às coisas.


Minto sem orgulho, mas entre o bem e o mal, a verdade e a mentira, escolho o que há de humano em mim - que é cinza.

Escrito por Feline às 20h55
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28/05/2011


O beijo gay, sempre e ainda o beijo gay

 

 

Passando os quarenta anos, ainda tenho ganas de adolescente. Ainda fico puto da vida com o que considero injustiça. Ainda tenho ganas de lutar e protestar e ser romântico.

 

Mesmo separados ainda beijo na boca meu ex-não-tão-ex-amante, tanto por afeto quanto para provocar. E beijo aqui no meu prédio, onde moro com o marido.

 

Fofocaram para o marido, que releva tudo nesse casamento moderno, menos eu beijar esse amante. Alguém reclamou com o síndico sobre o beijo e a notícia chegou aqui.

 

Meu marido é o cara. Já foi garoto de programa e drag queen. Mas nesse tempo todo considerou ser gay uma perversão ou degradação do que é realmente certo.

 

Resultou num gay conservador e com baixa auto-estima, que prefere ser hipócrita a abrir mão de ser aceito socialmente.

 

Homem que é, sente ofendido mais por ser público meu caso (ex, ainda não me acostumei com a idéia, e ele ainda me beija voltaemeia e então parecemos eternos de novo e a coisa toda volta) que pelo fato em si.

 

Beijar esse amante no território nosso é traição. Eu, por outro lado, saí do sério por saber que em resposta à reclamação do morador o síndico ameaçou publicamente até me chamar para ‘conversar’.

 

Devia mesmo. Tenho muita coisa a dizer sobre isso e a moral de quem vê crime em selinho entre caras másculos.

 

O síndico não veio. E por não poder responder, por consideração à fraqueza do meu marido (porque não posso exigir dele ser forte-ou louco- na exata medida do que eu acho conveniente), remôo essa ânsia de justiça.

 

Certa vez, pediram que eu parasse de dar selinhos no então amante, num bar. Levantamos, fomos para o limite entre o bar e a calçada e passamos o resto da noite grudados um na boca do outro, enquanto o bar urrava entre defensores e revoltados. Ainda estamos proibidos de frequentar o bar.

 

>Vontade era de fazer o mesmo aqui. Ir para a porta do prédio, do lado de fora da portaria, e fazer plantão beijando na boca.

 

Mas daí tem meu marido contra beijar o amante. E não serve beijar outro cara, porque o amante sacralilzou o beijar em público (e como protesto) como exclusividade dele, sob pena de mágoa eterna.

 

Podado, passei o dia maquinando, inventando revoluções mas tendo que, ao final, engolir tudo a bem dos mais chegados que tenho, ex-não-tão-ex-amante e o marido.

 

Faz parte da vida adulta cortar partes e seguir adiante. Cortei pedaço ao deixar isso barato. Mas, como Maria fazia, vou guardar isso no coração, para manter a história sempre quente.

 

E quando quem amo puder então suportar, vou esfregar o exercício do meu afeto na cara de quem tiver olhos para ver.

 

Porque eu vivo (sei-o agora que passou a raiva) pra quem amo, mas tendo por fundo essas idéias tortas. E sei que se estou onde estou foi porque embarquei nas minhas idéias.

 

>Se estou num casamento moderno é por causa da tortice dessas idéias. Pedir para eu não tê-las ou não vivê-las assim tortas é com se fora pedir para eu não amar ninguém homem.

 

Não consigo, nessa altura da vida, sentir vergonha justamente do melhor em mim. Recuei mas não garanto nada, porque, pra piorar, o que ninguém leva em conta nessas horas é que beijo proibido com a pessoa proibida e em local proibido ainda é o melhor que existe. Só de escrever isso, sorriso de canto a canto da boca, volto a ter 18 anos.

 

Por enquanto, o mais adulto que consigo é deixar a raiva me roer por dentro até doer bastante, porque é quando dói que se lembra.

Escrito por Feline às 21h38
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25/05/2011


Meio vazio, perdão

 

Às vezes eu também fico vazio. Quando assim, só respiro e gozo e sigo. Às vezes eu só duro, nem ao menos vivo. Cambaleio e fico o mínimo de mim, o suficiente pra durar.

 

Às vezes volto e prometo, às vezes até cumpro, até escrevo e escrevo e escrevo novamente e apago e a paz não vem.

 

Quando eu estiver cheio de novo, vivo de novo e respirando e gozando e seguindo também.
E minha língua destravar e eu puder beijar então.

 

Quando eu latejar, sem remédio, do meio das pernas até o último fio do meu moicano.

 

Aí escrevo, juro.

Escrito por Feline às 19h02
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29/04/2011


O desejo é uma adoração, faz da gente deus

 

 

Das coisas boas de ser homem, talvez a melhor seja ser desejado. Vou até mais longe. Melhor ainda é ser desejado tanto quanto desejar. É tão bom e tão forte que o ato de desejar beira a idolatria.

 

Foge ao meu controle a energia que há quando outro cara fica de joelhos pra mim e venera meu pau com aquela boca boa de homem. Não conheço adoração maior que o cara ajoelhado me pedir para urinar nele.

 

O desejo é uma adoração, faz da gente deus. A cara boa que o cara faz com a urina a lhe escorrer é tão maravilhosa quanto os sacrifícios que os antigos faziam. Imagino que os deuses deviam receber o cheiro da gordura queimada com a mesma cara de gozo que nós, ao vermos alguém de joelhos, a boca cheia e as mãos juntas segurando o cacete adorado, quase num gesto de oração.

 

Desejar assim é uma ato de humilhação simbólica. É se colocar nas mãos do deus. Sou eu dizendo que naquele momento, vivo para agradar quem me pega. Quando fico de quatro é isso que estou dizendo ao cara que me monta. Que sou dele e que quando ele me usa eu me sinto um cara além do que sou normalmente.

 

Daí ser uma humilhação santa. É algo que não dimuinui quem deseja. Pelo contrário, virar as costas e pedir pro cara enfiar tudo é um jeito da gente elevar nossa vidinha a algo maior que nós dois.

 

Parecido demais com a experiência religiosa, o desejo, antes de nos fazer animais, eleva o espírito. Na hora em que o cara me dá, sei facilmente que tudo mais que existe no mundo é pra mim, assim como o cara fica de quatro pra mim, o mundo inteiro pode ser submetido pelo meu desejar.

 

Por outro lado, quando ajoelho com o pau do cara na minha boca, sei que faço parte do mundo inteiro, que toda posse sou eu, que toda submissão é para mim, que estou aberto pra tudo que existe e que tudo que existe cabe em mim, ainda que doa um pouco, e que vivo e sempre vivi pra isso, para servir pro mundo inteiro.

 

É uma sensação tão intensa que muitos de nós viramos fanáticos e passamos a adorar e ser adorados até à beira da loucura.

 

Esse deus que a gente cultua ao trepar ou desejar é só a gente mesmo. A maravilha do cara dando ou a delícia de ser fodido é uma adoração a nós mesmos, homens. É uma religião, ser gay.

 

Ainda que eu não saiba disso com a razão, meu espírito sabe que quando sou puto, sigo a mais gostosa e velha das religiões e provavelmente a mais poderosa.

 

E que o serviço dessa religião consiste em adorar e ser adorado. E que ficar de pau duro é um cântico de louvor. E que tirar a roupa para liberar pau e bunda e boca é o único ritual que há.

 

E, principalmente, que não é preciso concordar, entender ou aceitar para ser religioso. Basta venerar os homens. E isso sei fazer bem.

Escrito por Feline às 21h39
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