Naum leia


10/12/2011


Viado reles, torto e do lado errado.


Disseram nesse blog que eu era um viado como os outros todos. E é verdade. Sou um homem desse mundo. Se eu leio umas poesias vezenquando ou acho natural meu corpo e o tesão que tiro dele isso não quer dizer que eu não seja realmente um reles viado.

Gosto da palavra viado. Carrega energia e polêmica e faz mais diferença na mente de quem fala e ouve do que que palavras como homossexual ou gay. Encho a boca ao dizer isso: sou viado. É massa esse prazer de se nomear. (Nomear foi a primeira coisa útil que Adão fez no Édem)

E sou reles e comum. E baixo também. E puto também. E acho o corpo a coisa mais boa do mundo. E a beleza tem seu lugar também. E o consumo inevitável me vitima também.
E peco (e como!) e me arrependo às vezes. Não mais nem menos que qualquer um. Se quando fodo alguém eu me sinto um deus, sou um deus entre deuses e o cara me adorando de joelhos pode seru um deus maior que eu até.

Sou comum até o talo. Sou doce às vezes, mas no mais sou desinteressado - para bem e para mal. Minha curiosidade é preguiçosa e minha bondade com os outros também.
Mas sinto um orgulho imoral disso tudo. De cair, de errar, de dar pro cara errado, de ajoelhar para quem não merece, de broxar com o homem certo.

Sinto orgulho de não poder gozar três vezes seguidas. Admiro minha capacidade de ter tesão por quase todo homem que se move. E curto quando simplismente digo não ou deixo pra lá.
Sem remorços num caso e outro.

Sou orgulhoso do viado reles e torto que sou. Daí penso como um personagem do Marquês de Sade, que acha que se não devemos nos gabar das virtudes também não devemos nos arrepender dos vícios que temos.

Porque há aos montes quem cante a bondade, a pureza, a monogamia, a famíliaclassemédia, a igreja, a fidelidade, a virgindade e a constância. Não digo que estão errados.
Mas eu sou o que canta o resto. Porque um e outro existem com a mesma intensidade. Eu sou o que canta a beleza da putaria. Mas não canto por cantar. Eu vivo tortamente e canto o torto. Porque há tanta beleza no torto quanto no perfeito e o torto é mais próximo porque sou eu mesmo.

Poderia encher bibliotecas falando das coisas todas tidas por boas ou recomendáveis. Mas vivo só o comum da vida, com suas tortuosidades todas. E o comum da vida é baixo. É carne e necessidade e beleza.

É um mistério tão indizível quanto o amor ou a idéia de Deus. Mas não sinto o amor ou a ética na carne. Sinto é tesão e dor e fome e raiva e medo e euforia e taquicardia e bexiga cheia.
E há espaço em nós viados reles e comuns para o espírito. Muita da espirituosidade e metafísica do mundo veio de nós viados. Porque se a vida pede só prazer, alimentação e evacuação, sobra tempo para a metafísica, a filosofia, a arte, a religião e a família.

Mas nada disso exclui o essencial, comer, meter e cagar. E o essencial não exclui o metafísico. Trepo e creio em Deus. Dou a bunda e aprecio a arte. Seguro a cabeça do cara até ele sufocar com meu pau e me sinto perfeitamente apto a discutir os direitos humanos.

Sou integral. Viado integral. Dos comuns mesmos. Dos ordinários. Daqueles orgulhosos. Daqueles que chafurdam fundo.

E, meu Deus, como isso é bom!

E sou tão comum que o que digo aqui consegue ser entendido por qualquer viado. E o que eu digo é tão comum e natural que incomodo tanto quanto deleito outros viados. E muito do que digo sobre mim vai causar ódio, e reprimendas e enfado e adesões ou passar batido, como acontece com qualquer livro religioso.

E digo essas coisa de mim porque sei que não sou único. E porque há uma jornada a cumprir, em favor do Lado B da vida. Uma jornada rumo ao equilíbrio e eu já escolhi em qual lado lutar nessa peleja.

Escrito por Feline às 16h31
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