Naum leia


12/11/2011


Viado, de peito aberto

Penar é uma escolha também. Sou viado e decidi não penar por causa disso. Em vez de me afogar em culpa ou autocensura, sigo gostando de mim e da minha vida torta.


Mas não sou um orgulhoso solitário. Tenho família em torno e amigos junto e sou orgulho deles também. Então, moralmente e sentimentalmente amparado, posso ser com toda a propriedade viado em casa, viado no trabalho, viado com minha família, viado caçando e viado entrando e saindo do motel.


Sou viado tranquilo, desses que andam na rua de mão dadas com o amante quando lhes dá na telha e se beijam quando a emoção ordena.


Conheço muita história atormentada. Sei de muita gente para quem todo o sofrimento é pouco e é em razão de ser gay. Lamento por eles. Não digo que os entendo, mas lamento.


Mas esse não sou eu. Já não tenho mais que lutar contra o mundo e, principalmente, lutar contra mim mesmo e Deus. Sou de aleluias agora, não de lamentações.


Estou de bem com o Deus que me fez assim. Não sou um vaso de desonra, como muitos viados proto-evangélicos querem. Sou obra prima divina, tão fruto do amor criativo Dele quanto qualquer hétero desavisado.


A natureza não me é hostil. É natural que eu exista, tenha dores, tenha gozos, envelheça, adoeça e trepe. A natureza não me diz outra coisa senão que eu sou seu filho amado em quem ela tem prazer.


Sou tão humano e natural quanto qualquer hétero, quanto qualquer bissexual, quanto qualquer transexual.


É uma honra e um orgulho existir assim, torto. Não vou acinzentar tudo porque não acho isso ou aquilo perfeito. Em meio a tanta perfeição, vou cantar as possibilidades todas.


Deixo a lamentação pelas limitações aos viados e héteros ressentidos, até hoje revoltados contra Deus por Ele atualmente economizar o uso do fogo que desceu sobre Sodoma e Gomorra.


Porque não sou mais nem menos limitado que qualquer outro homem. Já li muitos livros e vi muitos filmes e ouvi músicas demais para acreditar na infantilidade de se querer ser feliz 24 horas por dia, dia por dia a vida toda.


Sou um viado adulto, crescido. Não culpo meu pau por meus problemas. Se meu tesão traz o inferno para o meu mundo, se isto que vivo é mesmo o inferno que dizem, que maravilhas não trará então o céu, quando eu morrer?


Mas desconfio seriamente que o que a putaria e a convivência com os homens me trouxeram foi o céu em vida. Ainda que os ressentidos dêem a isso – que eles desconhecem – o nome de inferno.


Por que me preocupar com o céu e o inferno quando é tão mais doce ser amigo de Deus enquanto estou vivo¿ Sou viado amigo de Deus, cheio Dele, orgulhoso de mim e orgulhoso por saber que Ele é orgulhoso de mim também.


Lamento que haja tanta culpa no mundo e que ela chova sobre muitos gays. Estou seco e bem. Eu sou um gay que anda com Deus e fui salvo por ele.


Se isso é uma afronta às religiões e aos costumes e à vida heterodeterminante, que eles se insurjam contra Deus e a vida, não eu.


Eu vou curtir o amor divino, a companhia dos amigos, a aceitação da família, a admiração dos amantes e a energia bruta da putaria.


Pretendo ser feliz até os 100 anos. E pretendo ser viado até bem depois disso.

   

Escrito por Feline às 18h13
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