Naum leia


29/09/2011


Com tanto pelo em volta, meu coração deve ser um órgão sexual

 

Nunca entendi porque há pelos nos órgão sexuais. Não entendo mas tiro vantagem. Ter pelos no sexo é tão básico e natural, que não há como me verem peludo e não associarem a sexo.


E isso acontece inadvertidamente. A gente até tenta brincar que pelo no corpo é coisa de animal, mas esse joguinho só esconde a constatação de fato: pelo é sexo.


Há toda uma cultura do lisinho como padrão de beleza, mas há essa cultura porque precisa ser imposta. Imposta à nossa noção natural de pelo e sexo.


A gente tem uma relação estranha com nossos pelos por isso mesmo. Porque mesmo os lisinhos tem pentelhos. E isso é fácil de esconder, basta uma cueca.


Mas os peludos, nos peludos os pentelhos migraram para o corpo todo. Os pelos no peito, nas pernas, nas costas, nos braços indicam isso, que o sexo é o corpo todo.


Se os pentelhos escondem o sexo, meu peito esconde um órgão sexual, o coração com certeza.


Mas se os pelos fora da cobertura da cueca carregam consigo o sexo para o corpo todo, por que essa aversão aos pelos?


Deve ter algum dedo feminino nesse desmerecimento dos pelos, não por conta do sexo além da virilha, mas por conta do excessivamente masculino deles.


Não tem como comer alguém peludo, mesmo alguém delicado, e confundir aquela bunda e aquele trejeito de macho vagaba com uma mulher rumo ao orgasmo.


E isso acontece não é porque os caras com barba ou pelos sejam mais másculos, mas é simplesmente pelo fato de que não há pelos nas mulheres.


Os pelos das mulheres não extrapolam a calcinha. E esse padrão feminino contagia nosso padrão de beleza também.


Porque tem uma época da vida em que homens e mulheres são parecidos, os pelos mal despontando nos locais escondidos.


Na juventude, somos todos lisos. Então, os pelos, além de masculinidade e sexualidade também são sinônimo de diferença.


Ter pelos é uma forma agressiva do corpo demonstrar o sexo. Os pelos gritam: sou másculo. Sua migração pelo corpo todo é uma arrogância do masculino.


Os pelos demarcam uma diferença essencial entre homem e mulher: a sexual.


Somos homens assumidos, os peludos. Mesmo quando não somos homens tão convictos assim. Podemos dar pinta, vestir de mulher, usar calcinha na hora de trepar, mas com os pelos à mostra, seremos sempre homens.


Além dessa espécie de discriminação sexista, os pelos são marca de outro horror dos gays e das mulheres. A idade.


Como não temos pelos do nascimento à adolescência, corpo liso é sinônimo de pouca idade. A juventude eterna passa pela depilação constante.


Daí ser meio loucura um texto todo desse para falar do pelo, quando ele parece ser discriminatório, ser contra a juventude, a beleza e o feminino.


Mas ainda que haja essa luta cultural para bestializar o pelo, o recado do corpo peludo é dado só pela sua simples existência: que o masculino existe e não consegue ser tímido e restrito à virilha e às axilias.


Ainda que um peludo seja a mais mulher das mulheres, a mensagem que o corpo dele envia é a de masculinidade.


É um recado entendido por qualquer ser humano, independente de sexo, religião, política ou escolhas sexuais.


Posso não conseguir diferenciar um travesti de uma mulher, mas se um deles for peludo, sei até sem pensar.


Porque pelos e sexo não passam pelo pensamento. Vão direto pra virilha. Daí tanto tesão ou repulsa a eles. Porque os pelos, ainda que epalhados corpo afora, vão sempre falar de virilha para virilha, e na virilha não há outra coisa senão sexo.

 

Escrito por Feline às 22h40
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